A ocupação humana de Coutinho Afonso remontará aos tempos do Paleolítico, como é registado na estação arqueológica da "Casa Caída" - ver
post neste blogue de Junho de 2009.
Mas o mais conhecido testemunho da ocupação humana na nossa área data do Neolítico, com o povoado pré-histórico designado "Penedo de Cortegaça", situada na fronteira das duas freguesias (Pero Pinheiro e Algueirão-Mem Martins) e ocupando áreas de ambas.
Essa estação foi objecto de várias intervenções arqueológicas, sendo referenciada em algumas publicações:
GOMES, J. J. F. (1971) - Objectos manufacturados sobre osso do povoado pré-histórico do Penedo (Cortegaça-Sintra). In Actas do II Congresso Nacional de Arqueologia, Coimbra: Junta Nacional da EducaçãoSIMÕES, T. (1996) - O Sítio arqueológico de São Pedro de Canaferim (Sintra): Contributos para o estudo da Neolitização da Península Ibérica SOUSA, Ana Catarina (1996) - O Neolítico final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros (dissertação de Mestrado em Pré-história e Arqueologia)
Os dois últimos trabalhos referidos foram encontrados em -
www.ipa.min-cultura.pt/pubs/TA/folder/11/Do segundo trabalho (Teresa Simões) extraímos a "Ficha de Sítio" e imagens de espólio aí encontrado:

Do trabalho de Ana Catarina Sousa, efectuamos um pequeno resumo:
Esta autora diz-nos que o Penedo de Cortegaça foi um pequeno povoado ocupado desde o Neolítico (5.000 a.C. a 2.000 a.C.) até ao Calcolítico (3.100 a 2.000 a. C.), fazendo parte de um núcleo de sítios, do qual o mais próximo era o Alto do Montijo (Morelena), mas que incluiria vários outros no que designa de área da Ribeira de Cheleiros; os principais seriam o Penedo de Lexim e Oulelas (Sabugo).
O Penedo de Cortegaça era um povoado aberto, não fortificado, mas situado em cumeada, com condições de defensabilidade (a cerca de 200 metros de altitude); situava-se junto a terrenos com grande aptidão agrícola (a várzea da Granja), e os seus habitantes praticariam a pastorícia, o que será testemunhado por vestígios de queijeiras.
Este povoado estaria ainda relacionado com necrópoles funerárias contemporâneas, nomeadamente a muito próxima e já destruída Folha de Barradas, na Granja do Marquês.
Alguns excertos do seu livro:





As duas últimas fotografias e as suas legendas são bem elucidativas das nossas (de todos, se bem que uns com mais responsabilidades do que outros - referimo-nos aos poderes políticos, claro) preocupações com o Património!
Do crime ambiental que foi (e continua a ser) a pedreira falaremos mais tarde.