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sábado, 10 de outubro de 2015

Toponímia - a origem do nome de Coutinho Afonso

No blogue "Tudo de novo a ocidente" encontramos um texto recente sobre toponímia de terras sintrenses, entre as quais a de Coutinho Afonso (http://tudodenovoaocidente.blogs.sapo.pt/toponimia-sintrense-curiosidades-89025):

Domingo, 23 de Agosto de 2015
TOPONÍMIA SINTRENSE - CURIOSIDADES
Os sítios em muitos casos foram designados, de acordo com o nome de baptismo dos primitivos proprietários das terras onde se situam.Em diversas regiões de Portugal deparamos com exemplos,que confirmam essa característica.No concelho de Sintra, área Metropolitana de Lisboa,encontramos alguns  casos.Na zona dos "mármores" assim denominada devido a prevalência desde tempos antigos da actividade de exploração e transformação de rochas ornamentais "lioz" e mármore, encontramos topónimos, "Pero Pinheiro"  "Coutinho Afonso" ,"Casal do Vistas"entre outros; originados nos nomes  dos primeiros donos  das terras. Pero Pinheiro é corruptela medieva, que alterou a designação inicial de Pedro para Pero.Coutinho Afonso, igualmente, nome de donatário.No território destes topónimos deparamos outro interessante, relacionado com o modo como os "senhores", arrendavam as terras, e cobravam o pagamento das rendas."Quarteiras", local onde os camponeses recebiam pelo labor, a quarta parte das colheitas anuais recolhidas.Este topónimo encontra-se em outras regiões de Portugal, sempre na orla ou no interior de grandes propriedades  latifundiárias. A toponímia permite descobrir curiosidades singulares.

domingo, 7 de junho de 2015

Os Ratinhos e a Granja do Marquês

Ratinhos era a designação pela qual eram conhecidos os trabalhadores migrantes, originários das Beiras, que sazonalmente se deslocavam das suas terras para o trabalho agrícola da ceifa ou da apanha da azeitona no Alentejo, no Ribatejo ou mesmo na nossa região.

Pois exatamente perto de nós, na Granja do Marquês, existem ainda vestígios da presença destes migrantes das décadas de 40 e 50 do século passado: são um conjunto de edifícios em ruínas defronte/ junto ao acesso principal à Base Aérea n.º 1 de Sintra onde alguns aí dormiam; existe também um edifício onde se realizariam bailes, que certamente permitiriam o convívio entre estes migrantes e autóctones.


 
Um interessante artigo cobre os Ratinhos no Alentejo em www.prof2000.pt/users/avcultur/luisjordao/almanaque/.../Page30.htm:

MIGRAÇÕES
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OS RATINHOS
 
Migrações eram deslocações de gentes dos seus locais de origem para outros, à procura de melhores proventos para desafogo da sua vida.
Hoje, lembrei-me de ir ao encontro dos ratinhos, trabalhadores rurais, vindos das Beiras, que demandavam a minha região na época das “assêfas”(1), período que abrangia sobretudo os meses de Junho, Julho e Agosto, no tempo em que os campos se doiravam de espigas e o Alentejo se intitulava o “celeiro de Portugal”.
  
 
Ceifas no Alentejo – Imagem de marca de um restaurante típico de Aveiro.
 
Lembro-me muito bem de os ver nas décadas de quarenta e cinquenta do século passado, formando “camaradas”(2) que se distribuíam pelas herdades dos grandes latifundiários, conforme já fora combinado, antecipadamente, entre aqueles e o respectivo manageiro, seu representante. Eram homens simples, laboriosos, humildes, francos, fraternos, pobres de bens materiais, mas ricos de valores éticos e comportamentais. Viajavam de comboio até Ponte de Sor e, se o contrato não se formalizara com transporte, iam a pé para os montes de acolhimento, só descansando para consolar o estômago com bocados de broa e vinho envinagrado.
Ao passarem pelas Galveias (minha terra), formavam colunas ao descerem a estrada macadamizada até ao alto da Azinhaga de Avis, embrenhando-se depois por caminhos de pé posto. Por vezes, surgiam alguns cachopos mais atrevidos que, com o intuito de os ridicularizar, diziam:
– Ratinhos da Bêra,
Cómim pão e dêxam a farrenhêra!
                        e
– Ó ratinhos, rátim o pão,
Rátim o quêjo e o focinho do mê cão!

Eles, serenos, não lhes ligavam ou, a rir, respondiam-lhes:

– Olhem que não!
Comemos a farrenhêra e dêxamos o pão!
                         e
– Somos ratinhos, ratamos o pão e o quêjo,
E às meninas, pedimos um bêjo.
Chegados aos montes, ocupavam as camaratas que lhes estavam destinadas, arrumavam os sacos com os poucos haveres que traziam e, enquanto descansavam, esperavam pela papança a que ferravam o dente para enfiar na tripa. Alguns dos mais velhos garganteavam lamentações sobre o raio da vida que lhes coubera.
Assim que o sacristão do céu acendia as primeiras estrelas, iam deitar-se em cima de esteiras de bunho e, cansados, dormiam a sono solto. No dia seguinte, antes do Ti Manel(3) nascer, estavam preparados para enregar a safra.
Habitualmente, os ratinhos comiam e bebiam por conta dos lavradores à “boca livre”(4), cujos comeres, substanciais, à base de feijão frade, feijão catarino, grão, batatas, sopas de pão “todo um”(5) e bóias de toucinho e enchidos de porco, eram levados por um criado da lavoura designado por mantieiro. Sendo assim, recebiam pouco dinheiro que forravam para governo da família. Porém, a maior parte das “camaradas” trabalhava a seco, isto é, só por dinheiro, sendo responsável pela sua fraca mantença, não abdicando cada um dos seus membros, de poupar, poupar, chegando até à sovinice.
Normalmente, as “assêfas” começavam pela aveia, depois o centeio, a cevada e por fim o trigo.
Era um trabalho árduo! Feito de sol a sol, debaixo de um calor tórrido, desempenhado corajosamente, encharcava-lhes o corpo de suor e, eles, com ansiedade, esperavam, de quando em vez, a vasilha de água que emborcavam com sofreguidão, para se dessedentarem. Mesmo assim com o sol em brasa, algum dos mais afoitos interrompia o trabalho, erguia a cabeça e, com voz vibrante, desabafava:
Fui ao livro do destino,
Minha sorte procurar.
Em todas as folhas li,
Que nasci p`ra trabalhar.
Chegados ao pôr-do-sol desapegavam do trabalho e, se as noites estivessem quentes, estendiam uma manta sobre o restolho e ali mesmo se entregavam a Deus para que lhes desse um santa noite e forças para o dia seguinte.
Concluídas as “assêfas”, faziam as contas. Desta vez, o manageiro oferecia uma boa pinga, cujo efeito se notava na algazarra que alvoroçava os montes por meio de cantos, choros, gritos, agradecimentos e vivas.
No dia seguinte, tocava a reunir e faziam-se ao caminho do regresso. Chegados a casa, tinham caloroso acolhimento, sendo recebidos com gritos de júbilo e lágrimas de saudade.
As minhas raízes ruralista e campesina de que me orgulho e nunca esquecerei, levaram-me com este pequeno texto, a perpetuar o trabalho destes homens “d`uma cana” (6) que, de pé firme e mão vigorosa, ceifavam o pão que nos matava a fome.
_________________________
(1) – as ceifas ● (2) – Ranchos ● (3) – Sol ● (4) – Barriga cheia ● (5) – Escuro ● (6) – Rijos

sábado, 30 de maio de 2015

50.º aniversário da greve dos trabalhadores dos mármores

No dia 19 de maio passaram 50 anos sobre a greve dos operários dos mármores de Pero Pinheiro e Montelavar.

A Junta de Freguesia/União de Freguesias de Almargem do Bispo, Pero Pinheiro e Montelavar não deixou passar em claro este aniversário e realizou uma exposição, patente até hoje no Edifício Multiusos/Mercado de Pero Pinheiro, e assim noticiada na página de Facebook:


GREVE DE 19 DE MAIO DE 1965 – EXPOSIÇÃO 50 ANOS DEPOIS
A greve que marcou uma geração de trabalhadores e mudou o rumo da indústria do mármore é assinalada através de uma exposição de artigos jornalísticos da época, publicados em periódicos na clandestinidade. 
A exposição está patente ao público no Edifício Multiusos de Pêro Pinheiro, desde amanhã, dia 19 de Maio até dia 30 de Maio e de 12 de Junho a 14 de Junho, no Jardim do Rossio, em Montelavar.
Desta forma, a União de Freguesias pretende homenagear todos quantos lutaram naqueles dias, enfrentando o regime, por melhores salários, por melhores condições de vida.



A iniciativa é muito, muito meritória mas, perdoem-nos, as comemorações deste importante evento histórico nacional, sublinhamos, nacional, merecia mais. A exposição resume-se a algumas cópias de panfletos e de artigos da imprensa clandestina da época, em especial do Partido Comunista Português (cujos arquivos são, como se verifica, merecedores do maior respeito e consideração).

No nossa opinião, existem outros "poderes públicos" com redobradas obrigações, e capacidades, para uma comemoração ainda mais digna deste facto da nossa história, ao nível municipal e nacional. 

Fotografias da exposição:















domingo, 22 de fevereiro de 2015

Um mapa de 1865

De um mapa do ano de 1865 reproduzimos a área da Algueirão/Coutinho Afonso.

Trata-se da "última impressão extraída de uma gravura de 1865 já muito gasta", na escala de 1:100.000, publicada pelo Instituto Geográfico presume-se que nos primeiros anos do século XX - é referido que "o caminho de ferro foi gravado nesta carta em 1899".


domingo, 23 de novembro de 2014

Para a história de Coutinho Afonso

Notas sobre a história de Coutinho Afonso pelo arqueólogo Rui Oliveira, em artigo publicado em Julho de 2000 no jornal “Algueirão-Mem Martins”, boletim informativo da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins:

Para a história da freguesia de Algueirão-Mem Martins

Alguns apontamentos para a história da freguesia de Algueirão-Mem Martins (pré-história), num artigo do arqueólogo Rui Oliveira publicado na década de 90 do século ido; Coutinho Afonso é referido aqui a propósito da estação arqueológica do Penedo.

quinta-feira, 20 de março de 2014

80 anos do trágico desaparecimento de Brito Pais em Coutinho Afonso

Com a devida vénia, transcrevemos um post do blogue "O Reino de Klingsor" -
http://reinodeklingsor.blogspot.pt/2014/02/80-anos-do-tragico-desaparecimento-de.html -, acerca de um acidente aéreo ocorrido em Coutinho Afonso há 80 anos:


sábado, 22 de Fevereiro de 2014


80 anos do trágico desaparecimento de Brito Pais em Coutinho Afonso

  António Jacinto da Silva Brito Pais nasceu em Colos, Vila Nova de Milfontes, a 15/7/1884. Ingressou na Escola do Exército em 1907, onde cursou Infantaria. Serviu no Batalhão de Caçadores 5 e na Companhia do Niassa, donde regressou por doença, em 1912. Obteve o brevet de piloto na Escola de Avord em 1917. Antes tinha combatido com a infantaria 15 do CEP, sendo condecorado com a Cruz de Guerra, a Torre e Espada e e Legião de Honra francesa. Com o fim da Grande Guerra, foi colocado no comando da Esquadrilha de Bombardeamento e Observação do Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República". É aí que juntamente com Sarmento de Beires tentou a malograda ligação aérea à Madeira em 1920, com o "Cavaleiro Negro". Fez em 1924 o raid a Macau, com o mesmo Sarmento de Beires, e com Manuel Gouveia. Comandou ainda o Grupo de Aviação da Amadora, tendo vindo a falecer tragicamente, a 22 de Fevereiro de 1934, num choque em pleno voo de dois aviões Morane, em Coutinho Afonso, no Algueirão. Era tenente-coronel e tinha então 50 anos.


80 anos do trágico

sábado, 4 de janeiro de 2014

Coutinho Afonso na Wikipédia

Coutinho Afonso entrou na Wikipédia -
https://pt.wikipedia.org/wiki/Coutinho_Afonso

Eis a página que consta agora nesta enciclopédia da Internet:


Coutinho Afonso


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Coutinho Afonso é uma pequena aldeia da freguesia de Algueirão-Mem Martins, no concelho de Sintra. Situa-se no nordeste dessa freguesia, no limite com a de Pero Pinheiro – coordenadas Latitude: 38º 49’ 31” N, Longitude: 9º 19’ 25” W, Altitude 155 m.

As origens de Coutinho Afonso remontam ao Paleolítico Antigo ou Superior – 600.000 a 100.000 anos antes de Cristo –, como o atestam escavações efetuadas em 1966 pelo arqueólogo João José Fernandes Gomes na "estação paleolítica de superfície da Casa Caída". De acordo com o arqueólogo, esse povoado manteria a sua ocupação pelo menos até ao Paleolítico Médio – 100.000 a 40.000 anos a. C. (GOMES, 1970: 151).

No período romano Coutinho Afonso era atravessada por uma “(…) grande estrada romana que ligava Belas, Suimo, Casal da Mata, Coutinho Afonso e irá provavelmente ter ao Ramalhão.” (OLIVEIRA: 1987).

As primeiras referências escritas serão de 1348, em notícias de aforamentos* de terras do Convento de Santa Cruz de Coimbra em Maria Dias e "Gontijnha Afonso" (AHS, Núcleo Silva Marques).

Em 1570, no “Livro da Fazenda e Rendas da Universidade de Coimbra”, Coutinho Afonso “(…) é citado duas vezes a propósito de propriedades: ‘… uma vinha e muitas propriedades de pam que trazem (isto é arrendadas) dezanove ou vinte pessoas do dito lugar’ Nestas duas citações, duas variantes gráficas: a 1.ª = Coutinha Afonso; a 2.ª Guontinha Afonso (…)” (MADAHIL, 1940).

A “Lista de Comarcas do Reino”, de 1640, refere que Coutinho Afonso pertencia à Vintena** de Cortegraça e tinha 5 vizinhos (JFAMM, 2013).

Em 1758, na sequência do terramoto de 1755, o Marquês de Pombal ordenou a realização das “Memórias Paroquiais”, um interrogatório enviado aos párocos para que estes inquirissem a população. O resultado desses inquéritos é publicado em 1758, referindo que o termo de Sintra possui 22 vintenas, sendo que a “(…) Ventena de Cortegasa tem quatorze lugares = Cortegasa, Continha Afonso, Barouta, Maria Dias, Palmeyras, Quintanellas, Das Gozmas, Das Vivas, Sam Miguel, Condado, Cabrafiga, Lapas, Urnal, Mourelena (…)”. Nessas Memórias é referido que “(…) Contim affonço (…) tem sinco famílias com vinte, e seis pessoas (…)” (AZEVEDO, 1998: 152, 175).

O terramoto de 1755 terá provocado fortes danos em Coutinho Afonso, sendo aí registado o único óbito da freguesia de Santa Maria, na qual se inseria então Coutinho Afonso; referem as “Memórias Paroquiais”: “Aos 2 de Novembro de 1755 passou da vida prezente Martins solteiro, solteiro, morador em Coutinho Afonso desta freguesia que morreu por cauza do terramoto e foi sepultado no adro desta Igreja de Santa Maria de que fis este assento que assinei. Por comissão, o cura Hierónimo Rodrigues Moura.” (AZEVEDO, 1998: 117).

Em 1838, no levantamento efetuado pelo Visconde de Juromenha no livro "Cintra Pinturesca", era referido que Coutinho Afonso tinha sete fogos (JUROMENHA. 1838: 93).

Em 1940 os censos populacionais de referem que Coutinho Afonso tinha então 51 habitantes. Os censos mais recentes (2011) indicam uma população de 84 habitantes.


Notas

*Aforamento – concessão por longo prazo ou perpetuamente da exploração ou usufruto de uma propriedade, mediante o pagamento de determinada renda.

**Vintena – forma arcaica de organização administrativa do território, já referenciada nas Ordenações Afonsinas, extinta com o Liberalismo, que agrupava vinte vizinhos, ou seja, chefes de família, em torno de uma 'cabeça', que correspondia a um lugar ou aldeia. Cada vintena tinha o seu juiz, eleito pela vereação camarária, estando subordinado ao juiz de fora ou ordinário (…). - in http://arquivomuseualenquer.blogspot.pt/2011/10/antiga-vintena-do-camarnal.html)


Bibliografia:

GOMES, José Fernando – Duas Novas Estações Pré-históricas na Região de Sintra. “Ethnos” revista do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia, vol. VII. Lisboa: 1970.

ARQUIVO HISTÓRICO DE SINTRA (AHS) – Documentação medieval (Núcleo Silva Marques). Citado (por Rui Oliveira?) no sítio da Internet da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, consulta em Set.2013.

AZEVEDO, José Alfredo da Costa, 1982 – “Memórias Paroquiais, referentes a Sintra e seu termo (1758)”. In: Obras de José Alfredo da Costa Azevedo V – Memórias do Tempo, edição da C.M. de Sintra. Sintra: 1998.

AZEVEDO, José Alfredo da Costa, 1982 – “O Terramoto de 1755”. In: Obras de José Alfredo da Costa Azevedo V – Memórias do Tempo, Câmara Municipal de Sintra. Sintra: 1998.

MADAHIL, António Rocha – Livro da Fazenda e Rendas da Universidade de Coimbra em 1570. Coimbra, 1940. Citado por Rui Oliveira em ”O Rústico e o Pitoresco de Coutinho Afonso” in: jornal?, Jul.2000. p. 14.

JUNTA DE FREGUESIA DE ALGUEIRÃO-MEM MARTINS (JFAMM), sítio na Internet – “Da Época Medieval à Actualidade”. Consulta em Set.2013.

JUROMENHA Visconde de – Cintra Pinturesca, 1838. Reimpressão anastática da edição original. Câmara Municipal de Sintra. Sintra:1990.

OLIVEIRA, Rui – Breve História do Casal da Mata. In: “Jornal de Sintra” de 03/07/1987. Sintra: 1987. Blogue “Coutinho Afonso” – http://coutinho-afonso.blogspot.pt/. Consulta em Jan.2014.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Cortegaça, apontamentos da sua história

Sobre Cortegaça, apresentamos de seguida alguns apontamentos da história desta antiquíssima povoação.


Em 1527, por ordem de D. João III, é realizado o primeiro censo nacional, no qual consta que a freguesia de Montelavar era composta por duas vintenas*, a de Montelavar e a de Cortegaça.

Em 1712, no livro “Corografia Portuguesa”, de Carvalho da Costa, é apresentada uma lista de povoações da freguesia de Montelavar, onde consta: “(…) Cortegaça, com huma Ermida de N. Senhora da Salvação”.

Em 21 de Novembro de 1716, por ordem do rei D. João V, o juiz de fora de Sintra Damião Correia Leitão dá conta dos lugares existentes no concelho, referindo Cortegassa como uma das povoações da freguesia de Montelavar.

Em 1728 o documento conhecido por “Calçadas de Runa” apresenta uma perspetiva populacional de Sintra. Na freguesia de Montelavar são listadas as vintenas de Montelavar e a de Cortegaça, a primeira com 115 habitantes e um tributo** de 9.340 réis e a de Cortegaça com 46 habitantes e 8.340 réis de tributo.

Na sequência do terramoto de 1755 o Marquês de Pombal ordenou a realização das “Memórias Paroquiais”, um interrogatório enviado aos párocos para que estes inquirissem a população. O resultado desses inquéritos é publicado em 1758, referindo que o termo Sintra possui 22 vintenas, sendo que a “Ventena de Cortegasa tem quatorze lugares = Cortegasa, Continha Fonso, Barouta, Maria Dias, Palmeyras, Quintanellas, Das Gozmas, Das Vivas, Sam Miguel, Condado, Cabrafiga, Lapas, Urnal, Mourelena”.

Em 1838 foi publicado o livro “Cintra Pinturesca”, do Visconde de Juromenha, aí constando que Cortegaça possuía 24 fogos.


Notas:

*Vintena - A vintena foi uma forma arcaica de organização administrativa do território, já referenciada nas Ordenações Afonsinas, extinta com o Liberalismo, que agrupava vinte vizinhos, ou seja, chefes de família, em torno de uma 'cabeça', que correspondia a um lugar ou aldeia.

Cada vintena tinha o seu juiz, eleito pela vereação camarária, estando subordinado ao juiz de fora ou ordinário (…). - in http://arquivomuseualenquer.blogspot.pt/2011/10/antiga-vintena-do-camarnal.html)


**Tributo - É toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Tributo é a obrigação imposta as pessoas físicas e pessoas jurídicas de recolher valores ao Estado, ou entidades equivalentes (p. e. tribos e grupos revolucionários). É vulgarmente chamado por imposto, embora tecnicamente este seja mera espécie dentre as modalidades de tributos. - in http://pt.wikipedia.org/wiki/Tributo)



Fontes:

• AZEVEDO, José Alfredo da Costa - Memórias do Tempo. Sintra: Câmara Municipal de Sintra, 1998

• COUTO, Ana;  com o apoio de Lina Andrês, Presidente da Junta de Freguesia de Montelavar - Proposta de Lei (de elevação de Montelavar a vila). Jornal de Sintra, 2000-06-19

• JUROMENHA, Visconde de - Cintra Pinturesca. Reimpressão anastática da edição original de 1838. Sintra: Câmara Municipal de Sintra, 1990

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Algueirão (Velho) de há 60 anos

Há alguns meses atrás, quando elaborávamos um post sobre os Recreios Desportivos do Algueirão, descobrimos um blogue que não só continha preciosas referências a essa colectividade, como também sobre muitos outros aspectos da história do Algueirão (Velho) de há 60 anos - blogue "Salvaterra e Eu" - http://salvaterraeeu.blogspot.pt/

Contactamos o autor do blogue, João Celorico, residente no Algueirão nas décadas de 40/50 do século passado, que amavelmente nos cedeu elementos para publicação, procurando também inteirar-se de seus antigos companheiros.



No seu blogue são publicados vários post sobre o Algueirão da época, que constituem certamente o mais rico espólio documental sobre o assunto patente na Internet.


Apresentamos de seguida os links para os principais post, cuja leitura recomendamos vivamente.


SAUDADES OU SÓ LEMBRANÇAS … DO ALGUEIRÃO
01 Ago 2011
Um Algueirão Velho, ou de Cima, que quase se mantém na mesma, mas só quase. Lá está ainda a sede do clube, o “Recreios Desportivos do Algueirão”, “a sociedade” como lhe chamávamos, o freixo, talvez centenário e ...


Salvaterra e eu: Eu e… as primeiras letras”!( 2 )
21 Fev 2011
Pela parte que me toca, vivendo no Algueirão (Velho, ou de Cima), perto de Sintra, a menos de 20 quilómetros de Lisboa, a escola ficava a uns 500 metros da minha casa. Eu fazia os 7 anos, 4 meses antes de terminar o ano ...


Eu e… as primeiras letras”!( 4 ) Os meus companheiros
01 Mar 2011
O Eugénio, o João António, o Rato, o Pinto, o Peralta (que se transferiu para Almada), o Valdemar, o Gaspar e o Luís que também morava no Algueirão de Baixo e que era de Figueiró dos Vinhos e minha companhia no ...


Salvaterra e eu: 18 de Setembro de ... 1949 . Um dia inesquecível !...
16 Set 2011
Posto isto, valeram-me uns outros fervorosos adeptos ao convidarem-me para me deslocar a Lisboa (eu morava no Algueirão), para no Estádio Nacional assistir a um jogo de futebol. Imaginem qual! Nem mais nem menos, ...



Salvaterra e eu: Máscaras... porquê?
05 Mar 2011
Também para mascarar, nesse tempo, no Algueirão, bastava uma meia da mãe enfiada na cabeça. E, como os mascarados, normalmente, pediam dinheiro para comprar e beber vinho, o sítio da boca estava sempre tingido ...



Salvaterra e eu: Eu e… as primeiras letras”! (1)
15 Fev 2011
Já desde os 4 anos que eu, quando vinha do Algueirão a Lisboa, em visita ao meu irmão, tios e avó, tinha curiosidade em saber o nome das ruas e tentava decifrar aquilo que estava escrito nas placas toponímicas.



Salvaterra e eu: A vida, também é feita... de acasos( I )
22 Jan 2011
Por acaso, saí da minha terra, com pouco mais de 3 anos e fui viver para o Algueirão, junto de Sintra. Fiz aí as primeiras letras, até à 3ª classe e o acaso quis que viesse fazer a 4ª a Lisboa. Por acaso, tinha a escola mesmo ...


Salvaterra e Salvaterra e eu: Eu e… as primeiras letras”!( 3 )


26 Fev 2011
Tal como nós, fazia a pé o trajecto, da estação de comboio de Algueirão-Mem Martins até à Escola e vice-versa. Foi uma grande diferença entre os métodos deste professor e a anterior professora. Logo no primeiro dia, ...


Salvaterra e eu: E, já um mês é passado...
26 Out 2009


E era assim, antigamente, desculpem-me que insista, aquele dez réis de gente, sonhava ser contabilista! Os pais, nele bem pensaram e também no pequeno, irmão. A trouxa eles embrulharam, fizeram rumo ao Algueirão.


Eu e… as primeiras letras”!( 3 ) Os professores (parte II)
27 Fev 2011
Assim, um belo dia, resolvi fazer uma redacção com uma caneta de tinta permanente que eu já tinha há alguns anos, uma Waterman's (oferecida por uma senhora chinesa, no Algueirão). Pois não é que a professora não ...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O povoado pré-histórico "Penedo de Cortegaça"

A ocupação humana de Coutinho Afonso remontará aos tempos do Paleolítico, como é registado na estação arqueológica da "Casa Caída" - ver post neste blogue de Junho de 2009.


Mas o mais conhecido testemunho da ocupação humana na nossa área data do Neolítico, com o povoado pré-histórico designado "Penedo de Cortegaça", situada na fronteira das duas freguesias (Pero Pinheiro e Algueirão-Mem Martins) e ocupando áreas de ambas.

Essa estação foi objecto de várias intervenções arqueológicas, sendo referenciada em algumas publicações:


  • GOMES, J. J. F. (1971) - Objectos manufacturados sobre osso do povoado pré-histórico do Penedo (Cortegaça-Sintra). In Actas do II Congresso Nacional de Arqueologia, Coimbra: Junta Nacional da Educação

  • SIMÕES, T. (1996) - O Sítio arqueológico de São Pedro de Canaferim (Sintra): Contributos para o estudo da Neolitização da Península Ibérica

  • SOUSA, Ana Catarina (1996) - O Neolítico final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros (dissertação de Mestrado em Pré-história e Arqueologia)

  • Os dois últimos trabalhos referidos foram encontrados em - www.ipa.min-cultura.pt/pubs/TA/folder/11/


    Do segundo trabalho (Teresa Simões) extraímos a "Ficha de Sítio" e imagens de espólio aí encontrado:

    Do trabalho de Ana Catarina Sousa, efectuamos um pequeno resumo:

    Esta autora diz-nos que o Penedo de Cortegaça foi um pequeno povoado ocupado desde o Neolítico (5.000 a.C. a 2.000 a.C.) até ao Calcolítico (3.100 a 2.000 a. C.), fazendo parte de um núcleo de sítios, do qual o mais próximo era o Alto do Montijo (Morelena), mas que incluiria vários outros no que designa de área da Ribeira de Cheleiros; os principais seriam o Penedo de Lexim e Oulelas (Sabugo).

    O Penedo de Cortegaça era um povoado aberto, não fortificado, mas situado em cumeada, com condições de defensabilidade (a cerca de 200 metros de altitude); situava-se junto a terrenos com grande aptidão agrícola (a várzea da Granja), e os seus habitantes praticariam a pastorícia, o que será testemunhado por vestígios de queijeiras.

    Este povoado estaria ainda relacionado com necrópoles funerárias contemporâneas, nomeadamente a muito próxima e já destruída Folha de Barradas, na Granja do Marquês.

    Alguns excertos do seu livro:




    As duas últimas fotografias e as suas legendas são bem elucidativas das nossas (de todos, se bem que uns com mais responsabilidades do que outros - referimo-nos aos poderes políticos, claro) preocupações com o Património!
    Do crime ambiental que foi (e continua a ser) a pedreira falaremos mais tarde.

    sábado, 27 de junho de 2009

    A Estação Arqueológica da "Casa Caída"

    Coutinho Afonso é uma terra antiquíssima e rica em vestígios do passado.
    De alguns desses vestígios centenários já falámos, agora vamos procurar identificar outros ainda muito mais antigos:
    Mesmo no interior da povoação, em 1966 o arqueólogo João José Fernandes Gomes identificou a "estação paleolítica de superfície da Casa Caída".
    Para tentarmos situar esses tempos na história, apresentamos um quadro com os períodos da Pré-história (e também da Proto-história), com as suas datas aproximadas:
    Pré-história:
    • Paleolítico* = 600.000 a. C. - 8.000 a. C.
    • Mesolítico (ou Epipaleolítico) = 8.000 a. C. - 5.000 a. C.
    • Neolítico = 5.000 a. C. - 2.000 a. C.
    Proto-história:
    • Eneolítico (ou Calcolítico, ou Idade do Cobre) = 3.100 a. C. - 2.000 a. C.
    • Bronze = 2.000 a. C. - 800 a. C.
    • Ferro = 800 a. C. - 200 a. C.
    *Paleolítico:
    • Paleolítico Superior (ou Antigo) = 600.000 a. C. - 100.000 a. C.
    • Paleolítico Médio = 100.000 a. C. - 40.000 a. C.
    • Paleolítico Inferior = 40.000 a. C. - 8.000 a. C.
    O arqueólogo publicou a sua descoberta em 1970 na revista do então Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia "Ethnos", da qual apresentamos abaixo as páginas alusivas.
    Destacamos entretanto a história dessa descoberta: o arqueólogo encontrava-se em escavações na estação arqueológica "Penedo da Cortegaça" (situada no Penedo, na fronteira de Coutinho Afonso com Cortegaça - de que falaremos oportunamente), onde encontrou materiais/vestígios de uma época anterior à dessa estação; a hipótese que colocou foi a de que os povos do Penedo teriam recolhido essas peças nas imediações e as transportassem para o seu povoado.
    Assim, efectuando prospecção a Sudoeste do Penedo, encontrou várias outras peças do período paleolítico no terreno agrícola Casa Caída. A partir desse espólio, das suas "técnicas", poder-se-á situar a estação da Casa Caída no tempo - as peças encontradas e as respectivas técnicas estão identificadas na página 153 da revista e desenhadas na figura 1 apresentada abaixo:
    • Tayacense, Chelense - Paleolítico Superior (Hominídeos)
    • Tayaco-Musteierense - Paleolítico Superior/Paleolítico Médio
    • Mustierense - Paleolítico Médio (Homem de Neandertal)
    Ou seja, a estação arqueológica da Casa Caída datará do Paleolítico Superior (600.000 a 100.000 anos antes de Cristo), mantendo a sua ocupação pelo menos até ao Paleolítico Médio (100.000 a 40.000 anos antes de Cristo).
    Os naturais e habitantes de Coutinho Afonso podem de facto orgulhar-se de pertencerem a um dos poucos locais escolhidos pelos primeiros seres humanos para viver!
    Uma última palavra, para agradecimento à Lisete pela ajuda para a publicação destes elementos, só possível graças a ela.