domingo, 20 de março de 2011

Festas de S. José no Algueirão

As festas em honra de S. José decorrem este fim de semana no Algueirão. Da procissão das velas de ontem à noite apresentamos algumas fotografias.

Igreja do Algueirão - S. José

Capela do Algueirão - S. José


Capela do Algueirão


Capela do Algueirão


Capela do Algueirão


Capela do Algueirão



Capela do Algueirão


Entrada da Capela do Algueirão


Aspecto da procissão


Aspecto da procissão

Entrada da procissão na Capela do Algueirão


Iluminação festiva na Estrada do Algueirão


S. José, o padroeiro de Algueirão-Mem Martins, comemorando-se este ano os 50 anos da construção da Igreja do Algueirão e da paróquia ("santinho"):







Cartaz das Festas de S. José 2011 (extraído do blogue "Vila de Algueirão-Mem Martins"):

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Penedo de Cortegaça - aspectos geológicos

O Penedo de Cortegaça não é apenas um excelente miradouro sobre toda a região circundante - a Serra de Sintra, a Granja do Marquês, os mármores de Pero Pinheiro, etc. - e um importante local arqueológico (ver posts sobre o "Povoado Pré-histórico de Cortageça"), mas é também um sítio geológico interessante, de acordo com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCTUNL).


Do sítio da Internet "geoRoteiros" da FCTUNL extraímos a sua ficha relativa à pedreira de Cortegaça - http://www.georoteiros.pt/georoteiros/Apagina/GeoroteirosListas.aspx?IDtabela=4&IDsel=105:



Cortegaça


Esta localidade está erigida num pequeno anticlinal orientado NE-SW, que deslocou as formações basálticas e Oligocénicas. Fazendo um corte transversal à direcção do anticlinal, temos nos flancos o Oligocénico constituído por margas rosadas com níveis de calcário apinhoado e um calcário branco. Caminhando para o núcleo do anticlinal, temos as rochas do Complexo Vulcânico de Lisboa, seguido dos calcários subcristalinos com rudistas, a inclinar para sudeste. O núcleo do anticlinal é composto pelos calcários margosos do Cenomaniano.

A pedreira de Cortegaça, situada a uma altitude de 185 m, mostra as camadas de calcários cristalinos do Cenomaniano a inclinar para SE. Aqui estamos no flanco Sul do anticlinal. Este calcário tem grandes acumulações de sílex, sendo em tempos um grande recurso mineral. Este calcário está muito fracturado, originando pequenos losangos de calcário no afloramento devido às fracturas ortogonais. Estas massas de sílex apresentam camadas contínuas, concordantes com os calcários do Cenomaniano, com espessuras a chegar aos 15 cm, no entanto a camada não é constante, observando-se em alguns locais espessuras menores e também formas lenticulares de diferentes tamanhos. O sílex é mais ou menos compacto mas muito fracturado (evidências de fractura concoidal) com arestas agudas e cortantes, de cor branca, coberto muitas vezes por películas de cores cinzenta e rosada, indicando pigmentos ferruginosos.

Este local, deixado ao abandono está com muito lixo e entulho, degradando um excelente local para observar sílex in situ. Na verdade, a utilização de materiais geológicos iniciou-se pela pedra lascada, com a primeira aplicação de matéria-prima (sílex e quartzo) nas indústrias paleolíticas, evidenciada nos actos de caça, pesca e defesa, logo que os primeiros hominídeos apareceram sobre a Terra.


Procurando contribuir para a interpretação de alguns conceitos menos comuns, apresentamos de seguida algumas ilustrações:


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Joaquim Pechilga no RTP - PORTUGAL EM DIRETO

O nosso conterrâneo Joaquim Pechilga foi entrevistado para o programa "Portugal em Directo" da RTP1, tendo a gravação sido emitida na passada 4.ª feira, dia 16 de Fevereiro.



Eis aqui a ligação para a gravação de todo o programa, sendo a peça sobre Joaquim Pechilga apresentada ao minuto 17:


O link será: http://www0.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=19455&c_id=141&dif=tv&idpod=51899

sábado, 8 de janeiro de 2011

Roubo de cabos eléctricos em Coutinho Afonso

Na semana passada foram furtados cabos eléctricos da rede de distribuição de energia de Coutinho Afonso e das Raposeiras, cabos esses - pasme-se -, com corrente eléctrica e retirados dos próprios vários postes de distribuição/iluminação de electricidade.

Este roubo colocou às "escuras" uma parte da iluminação pública, algumas casas da povoação e o semáforo da entrada de Coutinho Afonso pelo Algueirão.


A EDP desta vez "portou-se" muito bem, dois ou três dias depois já tinha reposto a situação, nomeadamente a iluminação pública.

Mas do funcionamento do semáforo não há notícias... Apesar de pouco eficaz, como todos os habitantes da povoação o podem comprovar, é a única "arma" de que dispõem para lutar contra a imbecilidade de alguns condutores.

Já agora, se a PSP do Algueirão pudesse deslocar-se uma vez por outra a Coutinho Afonso, talvez não fosse má ideia; a sua presença ajudaria certamente não só à prevenção de roubos de bens, como também a preservação de vidas humanas, face ao absoluto desrespeito pelas regras de trânsito por parte dos muitos energúmenos motorizados que atravessam a povoação.

É que, senhor comandante da PSP, em Coutinho Afonso também habitam seres humanos de plenos direitos (eleitores, contribuintes...).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

As filhoses

O doce mais tradicional do Natal na nossa zona é, sem dúvida, a filhó.
E ninguém as faz melhor do que a minha Mãe. Duas fotos das filhoses do ano passado (para abrir o apetite):


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Circo Mariano e o Algueirão - 2

Afinal ainda encontrei mais um documento sobre o Circo Mariano - uma entrevista concedida por elementos do Circo ao extinto jornal "A Pena" de 19 de Dezembro de 2002:


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Circo Mariano e o Algueirão

O Circo Mariano, uma das grandes companhias de circo nacionais, infelizmente hoje extinta, teve fortes ligações ao Algueirão.

No final da década de 60/início da década de 70 do século passado, o então proprietário do Circo Mariano, Henry Tony (nome artístico), também seu ilusionista, adquiriu uma quinta no Algueirão, na Recta da Granja, onde instalou os seus sogros, Cristiano e Lucília.

Após o 25 de Abril o próprio empresário e restante família estabeleceram-se mesmo no Algueirão, onde se tornaram figuras reconhecidas. Os sogros e o próprio Henry Tony já faleceram, mas a sua esposa e filha continuam a residir no Algueirão.

Recordo-me de pequeno particularmente do Sr. Cristiano, figura muito simpática e afável, e da sua esposa, uma senhora muito delicada e igualmente simpática.

D. Lucília


Nesta época natalícia, em que o circo "desce à cidade" , procuramos recolher alguma informação sobre o Circo Mariano (que não resultou tão rica quanto isso).
Das origens do Circo Mariano, encontramos uma nota biográfico do seu fundador Mariano Augusto Monteiro, definido como “o melhor empresário de circo português de todos os tempos” em http://www.flickr.com/photos/circoev/4035077837/.
O circo terá nascido na década de 20 do século XX, tendo com conhecido “grande pujança nos anos 50” e problemas no início da década de 70; foi nessa altura que Henry Tony terá adquirido o Circo Mariano.

Mariano Augusto Monteiro

Mariano Augusto Monteiro foi o melhor empresário de circo português de todos os tempos. Iniciou-se como saltador, posteriormente palhaço e lentamente foi organizando um grupo de artistas e adquirindo algum material, para que, na década de 20, nascesse o seu primeiro circo.
Conheceu grande pujança nos anos 50, tendo desfilado na sua pista grandes nomes do circo mundial: Emílio Zavatta (corda elástica), Logano (contorcionista aéreo), Ant-Platas (malabarista), miss Kate (ursos gigantes), Jolson, Conde de Aguilar, Lion Sacor, Irmãos Campos, Atalaias, D. Aguinaldo, Henry Tony entre muitos outros. Com os anos 70, começaram os problemas financeiros e a ruína de todo o império construído do nada. No Porto, após o incêndio do circo, nada correu bem. Um dos seus primos matou o seu encarregado e assim, foi obrigado a vender o seu nome a Henry Tony (ilusionista). Ao adquirir o alvará, relança o Mariano para o sucesso merecido. No entanto, a vida de Mariano Monteiro não voltou a ser a mesma: conheceu o desamparo e a solidão na velhice. Numa reportagem a que tivemos acesso, o velho palhaço afirmava: "agora que já não sou nada, tenho de viver das ajudas que me dão...o que faço é aparecer na pista, onde me apresentam. Depois sento-me à porta e ali fico.". Foi com a chegada do 25 de Abril e com as exigências (justas) de funcionários e artistas que este circo se afunda definitivamente. Tal como ele, outros tantos fecham as suas portas: Mexicano (actual Ringland), Royal, New-York, Brasil...

É esta a história de um homem que das gargalhadas à velhice conheceu 50 anos de uma vida dura dedicada ao circo.


Sobre a família de Mariano, encontramos uma referência num blogue sobre a povoação de Sobral Magro, situada na Serra do Açor, concelho de Arganil - http://sobralmagro.com.sapo.pt/loca.htm:
(...) Em Sobral Magro nasceu também a família a que chamavam os Comediantes. Esta família migrou para Lisboa e foram donos de um famoso Circo – o Circo Mariano.

Acerca de uma das personagens do Circo Mariano, António Ribeiro ou “Toni das Gaitas”, que viria a ser reconhecido exactamente como tocador de gaita-de-foles, no blogue http://www.gaitadefoles.net/vidas/default.htm:
(...) O homem que tantas despedidas tinha feito aos que partiam, iria também embarcar para África. Não já como militar, visto não ter sido mobilizado, mas como artista do Circo Mariano, que partia em digressão para aquelas paragens. Por lá andou, de Angola foi para Moçambique, daqui para a África do Sul, sempre acompanhado da gaita e agora também do clarinete. Homem de sete ofícios, desempenhou papéis de palhaço e malabarista, montou, desmontou e voltou a montar, as grandes tendas do circo e quando as rajadas furiosas de ventos e vendavais ameaçavam varrer tudo, passou noites inteiras a velar pela sua segurança.


Em 1974, regressou definitivamente e foi fixar-se nos arredores do Porto, na Senhora da Hora. O Circo Mariano, que tinha chegado ao fim dos seus dias, já não lhe podia garantir o sustento diário. Assim obedecendo aos velhos impulsos, começou a formar gaiteiros e a constituir grupos de gaitas e percussões, para animar festas e romarias. Assim nasceram os Gaiteiros Nacionais, agrupamento que chegou a ter 58 elementos. Todos os seus filhos, catorze ao todo, tocam a gaita, rufam na caixa e percutem o bombo.
Falta falar de António Ribeiro como construtor de
instrumentos tradicionais. Várias das gaitas usadas pelos Gaiteiros Nacionais foram construídas por si, tal como as caixas e os bombos, e as peles foi ele quem as curtiu. A qualidade e a perfeição desses instrumentos estão à vista.
Mais do que um gaiteiro, de tão reconhecido como surpreendente virtuosismo, numa arte da qual conserva os traços e cânones essenciais da tradição, António Ribeiro é um excelente exemplo de Cultura Popular sobrevivente no seio da "grande cidade", trazido pelas correntes migratórias que geraram quer movimentos de integração quer focos de exclusão. Rebelde e marginal quanto baste, António Ribeiro é uma verdadeira "ilha" de criatividade expressiva da mais autêntica Cultura Popular que a cidade deve revelar e, como tal, valorizar.
Texto: Excerto do livrete do CD "António Ribeiro - Toni das Gaitas" - Colecção "Gaiteiros Tradicionais" nº8 - Mário Correia / Sons da Terra, 2000
Fotos: APEGDF


Uma nota sobre a concessão de “subsídios” em Angola por Henry Tony a um artista popular, hoje maestro da Associação Cultural Lá-Mi-Ré (Monção e Arcos de Valdevez). http://membres.multimania.fr/lamire2004/maestro_p.htm:
(...) Em 1970 realizou o primeiro espectáculo de "Arte e Cultura Popular" (música, teatro e folclore), com o qual obteve estrondoso êxito. A Câmara Municipal do Lobito e Governo Civil do distrito de Benguela interessaram-se imediatamente por esse género de espectáculos, atribuindo subsídios e ajudando na sua divulgação, o que deu origem a actuações em Benguela, Lobito, Cubal, Ganda, Novo Redondo, Gabela, Nova Lisboa e Sá da Bandeira. Outras entidades, nomeadamente as Câmaras Municipais de Benguela, Novo Redondo, Nova Lisboa e Sá da Bandeira, Companhia de Celulose do Ultramar Português, Robbialac Portuguesa, Companhia dos Cimentos de Angola, Banco de Angola, Lupral Lusalite & Previdente de Angola, etc., concederam bons subsídios. Por intermédio do Director do Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA), Dr. José Maria Rodrigues de Vasconcelos, foram concedidos vários outros subsídios, especialmente pelo empresa Henry Tony (Circo Mariano).



De actuações em Évora é dada notícia no blogue http://acribeiro.blogs.sapo.pt/2010/06/:
(...) Quando nos encontramos a poucos dias do início da Feira de São João informamos os amantes da Arte Circense que a Companhia de Circo do Juventude Sport Clube também actuou por várias vezes na Ancestral Feira, nomeadamente no Circo Mariano.


De outra(s) passagens no Alentejo, no blogue http://alentejanando.weblog.com.pt/arquivo/118610.html:

(...) Na missa domingueira o sacristão de ocasião corria pelo corredor lateral até à linha de fundo, centrava, e, repentinamente, num arreganho de ponta-de-lança, o prior mandava o sermão para o fundo das redes do fiel rebanho que conivente com o rápido despacho desandava alegremente para o zaronzel da feira. Era verdadeiramente um fartote de animação.
- Hoje, pelas nove horas da noite, o Circo Mariano apresenta um magistral espectáculo com entrada grátis às damas.
A partir daqui tudo era possível. Com os beiços besuntados de algodão doce e os olhinhos mais arregalados que um mocho, dei fé da tenda onde cabia um mundo de fantasia, um mundo que esticava para lá da rábula do palhaço pobre e do palhaço rico. Da trapezista rechonchuda e do contorcionista com costelas que mais pareciam teclas de piano. Do leão desdentado e do macaco macaco. Um mundo tão magistral em que até o urso sabia andar de mota.

No blogue “Recordações da Casa Amarela” – http://recordacoescasamarela.blogspot.com/2010/10/luanda-coliseum-agora-novo-jornal.html -, a lembrança das passagens do circo por Angola, de um post assinado por Fernando Pereira de 30 de Outubro de 2010:
(...) Angola recebia com regularidade, algumas companhias de circo, que aproveitavam o Inverno em Portugal, para fazerem a sua campanha africana, recebendo inclusivamente subsídios avultados, do Ministério do Ultramar e da Defesa, para um conjunto de espectáculos para as Forças Armadas portuguesas.

O circo Mariano, ficava num terreno desocupado, no cruzamento da Av. Comandante Valódia, com a Alameda Manuel Van-Dunem. A expressão do “ Circo desceu à cidade” aplicava-se apropriadamente a este, propriedade de Henry Tony (nome artístico), pois à volta da tenda grande lá estavam umas jaulas, com animais sedados, e umas roulottes, onde os trapezistas, domadores, palhaços, ilusionistas, todo o conjunto de gente que nos fazia sonhar naquelas duas horas, em que embevecidos, assistíamos a algo que julgávamos impossível acontecer.



Em 1978 o Circo Mariano ainda efectuaria actuações, de acordo com um folheto que o meu pai guardou: