Afinal ainda encontrei mais um documento sobre o Circo Mariano - uma entrevista concedida por elementos do Circo ao extinto jornal "A Pena" de 19 de Dezembro de 2002:
Coutinho Afonso é uma pequena aldeia da freguesia de Algueirão-Mem Martins, no concelho de Sintra. Situa-se no nordeste dessa freguesia, no limite com a de Pero Pinheiro, possuindo actualmente cerca de 100 habitantes.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O Circo Mariano e o Algueirão
O Circo Mariano, uma das grandes companhias de circo nacionais, infelizmente hoje extinta, teve fortes ligações ao Algueirão.
No final da década de 60/início da década de 70 do século passado, o então proprietário do Circo Mariano, Henry Tony (nome artístico), também seu ilusionista, adquiriu uma quinta no Algueirão, na Recta da Granja, onde instalou os seus sogros, Cristiano e Lucília.
Após o 25 de Abril o próprio empresário e restante família estabeleceram-se mesmo no Algueirão, onde se tornaram figuras reconhecidas. Os sogros e o próprio Henry Tony já faleceram, mas a sua esposa e filha continuam a residir no Algueirão.
Recordo-me de pequeno particularmente do Sr. Cristiano, figura muito simpática e afável, e da sua esposa, uma senhora muito delicada e igualmente simpática.
D. Lucília
Nesta época natalícia, em que o circo "desce à cidade" , procuramos recolher alguma informação sobre o Circo Mariano (que não resultou tão rica quanto isso).
Das origens do Circo Mariano, encontramos uma nota biográfico do seu fundador Mariano Augusto Monteiro, definido como “o melhor empresário de circo português de todos os tempos” em http://www.flickr.com/photos/circoev/4035077837/.
O circo terá nascido na década de 20 do século XX, tendo com conhecido “grande pujança nos anos 50” e problemas no início da década de 70; foi nessa altura que Henry Tony terá adquirido o Circo Mariano.
Mariano Augusto Monteiro
Mariano Augusto Monteiro foi o melhor empresário de circo português de todos os tempos. Iniciou-se como saltador, posteriormente palhaço e lentamente foi organizando um grupo de artistas e adquirindo algum material, para que, na década de 20, nascesse o seu primeiro circo.
Conheceu grande pujança nos anos 50, tendo desfilado na sua pista grandes nomes do circo mundial: Emílio Zavatta (corda elástica), Logano (contorcionista aéreo), Ant-Platas (malabarista), miss Kate (ursos gigantes), Jolson, Conde de Aguilar, Lion Sacor, Irmãos Campos, Atalaias, D. Aguinaldo, Henry Tony entre muitos outros. Com os anos 70, começaram os problemas financeiros e a ruína de todo o império construído do nada. No Porto, após o incêndio do circo, nada correu bem. Um dos seus primos matou o seu encarregado e assim, foi obrigado a vender o seu nome a Henry Tony (ilusionista). Ao adquirir o alvará, relança o Mariano para o sucesso merecido. No entanto, a vida de Mariano Monteiro não voltou a ser a mesma: conheceu o desamparo e a solidão na velhice. Numa reportagem a que tivemos acesso, o velho palhaço afirmava: "agora que já não sou nada, tenho de viver das ajudas que me dão...o que faço é aparecer na pista, onde me apresentam. Depois sento-me à porta e ali fico.". Foi com a chegada do 25 de Abril e com as exigências (justas) de funcionários e artistas que este circo se afunda definitivamente. Tal como ele, outros tantos fecham as suas portas: Mexicano (actual Ringland), Royal, New-York, Brasil...
É esta a história de um homem que das gargalhadas à velhice conheceu 50 anos de uma vida dura dedicada ao circo.
Sobre a família de Mariano, encontramos uma referência num blogue sobre a povoação de Sobral Magro, situada na Serra do Açor, concelho de Arganil - http://sobralmagro.com.sapo.pt/loca.htm:
(...) Em Sobral Magro nasceu também a família a que chamavam os Comediantes. Esta família migrou para Lisboa e foram donos de um famoso Circo – o Circo Mariano.
Acerca de uma das personagens do Circo Mariano, António Ribeiro ou “Toni das Gaitas”, que viria a ser reconhecido exactamente como tocador de gaita-de-foles, no blogue http://www.gaitadefoles.net/vidas/default.htm:
(...) O homem que tantas despedidas tinha feito aos que partiam, iria também embarcar para África. Não já como militar, visto não ter sido mobilizado, mas como artista do Circo Mariano, que partia em digressão para aquelas paragens. Por lá andou, de Angola foi para Moçambique, daqui para a África do Sul, sempre acompanhado da gaita e agora também do clarinete. Homem de sete ofícios, desempenhou papéis de palhaço e malabarista, montou, desmontou e voltou a montar, as grandes tendas do circo e quando as rajadas furiosas de ventos e vendavais ameaçavam varrer tudo, passou noites inteiras a velar pela sua segurança.
Em 1974, regressou definitivamente e foi fixar-se nos arredores do Porto, na Senhora da Hora. O Circo Mariano, que tinha chegado ao fim dos seus dias, já não lhe podia garantir o sustento diário. Assim obedecendo aos velhos impulsos, começou a formar gaiteiros e a constituir grupos de gaitas e percussões, para animar festas e romarias. Assim nasceram os Gaiteiros Nacionais, agrupamento que chegou a ter 58 elementos. Todos os seus filhos, catorze ao todo, tocam a gaita, rufam na caixa e percutem o bombo.
Falta falar de António Ribeiro como construtor de instrumentos tradicionais. Várias das gaitas usadas pelos Gaiteiros Nacionais foram construídas por si, tal como as caixas e os bombos, e as peles foi ele quem as curtiu. A qualidade e a perfeição desses instrumentos estão à vista.
Mais do que um gaiteiro, de tão reconhecido como surpreendente virtuosismo, numa arte da qual conserva os traços e cânones essenciais da tradição, António Ribeiro é um excelente exemplo de Cultura Popular sobrevivente no seio da "grande cidade", trazido pelas correntes migratórias que geraram quer movimentos de integração quer focos de exclusão. Rebelde e marginal quanto baste, António Ribeiro é uma verdadeira "ilha" de criatividade expressiva da mais autêntica Cultura Popular que a cidade deve revelar e, como tal, valorizar.Texto: Excerto do livrete do CD "António Ribeiro - Toni das Gaitas" - Colecção "Gaiteiros Tradicionais" nº8 - Mário Correia / Sons da Terra, 2000
Fotos: APEGDF
Uma nota sobre a concessão de “subsídios” em Angola por Henry Tony a um artista popular, hoje maestro da Associação Cultural Lá-Mi-Ré (Monção e Arcos de Valdevez). http://membres.multimania.fr/lamire2004/maestro_p.htm:
(...) Quando nos encontramos a poucos dias do início da Feira de São João informamos os amantes da Arte Circense que a Companhia de Circo do Juventude Sport Clube também actuou por várias vezes na Ancestral Feira, nomeadamente no Circo Mariano.
De outra(s) passagens no Alentejo, no blogue http://alentejanando.weblog.com.pt/arquivo/118610.html:
(...) Na missa domingueira o sacristão de ocasião corria pelo corredor lateral até à linha de fundo, centrava, e, repentinamente, num arreganho de ponta-de-lança, o prior mandava o sermão para o fundo das redes do fiel rebanho que conivente com o rápido despacho desandava alegremente para o zaronzel da feira. Era verdadeiramente um fartote de animação.
- Hoje, pelas nove horas da noite, o Circo Mariano apresenta um magistral espectáculo com entrada grátis às damas.
A partir daqui tudo era possível. Com os beiços besuntados de algodão doce e os olhinhos mais arregalados que um mocho, dei fé da tenda onde cabia um mundo de fantasia, um mundo que esticava para lá da rábula do palhaço pobre e do palhaço rico. Da trapezista rechonchuda e do contorcionista com costelas que mais pareciam teclas de piano. Do leão desdentado e do macaco macaco. Um mundo tão magistral em que até o urso sabia andar de mota.
No blogue “Recordações da Casa Amarela” – http://recordacoescasamarela.blogspot.com/2010/10/luanda-coliseum-agora-novo-jornal.html -, a lembrança das passagens do circo por Angola, de um post assinado por Fernando Pereira de 30 de Outubro de 2010:
(...) Na missa domingueira o sacristão de ocasião corria pelo corredor lateral até à linha de fundo, centrava, e, repentinamente, num arreganho de ponta-de-lança, o prior mandava o sermão para o fundo das redes do fiel rebanho que conivente com o rápido despacho desandava alegremente para o zaronzel da feira. Era verdadeiramente um fartote de animação.
- Hoje, pelas nove horas da noite, o Circo Mariano apresenta um magistral espectáculo com entrada grátis às damas.
A partir daqui tudo era possível. Com os beiços besuntados de algodão doce e os olhinhos mais arregalados que um mocho, dei fé da tenda onde cabia um mundo de fantasia, um mundo que esticava para lá da rábula do palhaço pobre e do palhaço rico. Da trapezista rechonchuda e do contorcionista com costelas que mais pareciam teclas de piano. Do leão desdentado e do macaco macaco. Um mundo tão magistral em que até o urso sabia andar de mota.
No blogue “Recordações da Casa Amarela” – http://recordacoescasamarela.blogspot.com/2010/10/luanda-coliseum-agora-novo-jornal.html -, a lembrança das passagens do circo por Angola, de um post assinado por Fernando Pereira de 30 de Outubro de 2010:
(...) Angola recebia com regularidade, algumas companhias de circo, que aproveitavam o Inverno em Portugal, para fazerem a sua campanha africana, recebendo inclusivamente subsídios avultados, do Ministério do Ultramar e da Defesa, para um conjunto de espectáculos para as Forças Armadas portuguesas.
O circo Mariano, ficava num terreno desocupado, no cruzamento da Av. Comandante Valódia, com a Alameda Manuel Van-Dunem. A expressão do “ Circo desceu à cidade” aplicava-se apropriadamente a este, propriedade de Henry Tony (nome artístico), pois à volta da tenda grande lá estavam umas jaulas, com animais sedados, e umas roulottes, onde os trapezistas, domadores, palhaços, ilusionistas, todo o conjunto de gente que nos fazia sonhar naquelas duas horas, em que embevecidos, assistíamos a algo que julgávamos impossível acontecer.
O circo Mariano, ficava num terreno desocupado, no cruzamento da Av. Comandante Valódia, com a Alameda Manuel Van-Dunem. A expressão do “ Circo desceu à cidade” aplicava-se apropriadamente a este, propriedade de Henry Tony (nome artístico), pois à volta da tenda grande lá estavam umas jaulas, com animais sedados, e umas roulottes, onde os trapezistas, domadores, palhaços, ilusionistas, todo o conjunto de gente que nos fazia sonhar naquelas duas horas, em que embevecidos, assistíamos a algo que julgávamos impossível acontecer.
domingo, 28 de novembro de 2010
Novamente a "Gilbardeira"
Estamos a chegar ao Natal e cá está ela novamente, a Gilbardeira, a flor do Natal da nossa zona.



O ano passado já tinhamos falado da Gilbarderira: http://coutinho-afonso.blogspot.com/2009/12/gilbardeira-flor-do-natal.html
O ano passado já tinhamos falado da Gilbarderira: http://coutinho-afonso.blogspot.com/2009/12/gilbardeira-flor-do-natal.html
domingo, 3 de outubro de 2010
A colocação dos contentores de lixo em Coutinho Afonso
A colocação dos contentores de recolha de lixo em Coutinho Afonso é mesmo uma obra de "iluminados" (da empresa municipal HPEM)!
Vejam-se dois exemplos, em plena Estrada Principal (de nome e de facto):


A distância dos contentores de recolha de resíduos "normais" à estrada - onde circulam responsáveis condutores cumpridores do limite de velocidade de 50 km/hora (já hoje entendido como exagerado) - é de cerca de 50 centímetros!


Vejam-se dois exemplos, em plena Estrada Principal (de nome e de facto):
A distância dos contentores de recolha de resíduos "normais" à estrada - onde circulam responsáveis condutores cumpridores do limite de velocidade de 50 km/hora (já hoje entendido como exagerado) - é de cerca de 50 centímetros!
Quanto ao Ecoponto, a distância de 40 ou 50 centímetros mantém-se, mas a sua colocação estratégica, em plena curva, é de génio!
Para além das questões de segurança - já vários moradores apanharam valentes sustos com as tais bestas do volante -, também a localização desses três contentores, bem defronte da fonte romana, parece mesmo propositada para esconder esse vestígio do passado de Coutinho Afonso.
À atenção da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins e da empresa municipal HPEM!
domingo, 19 de setembro de 2010
ETAR de Coutinho Afonso em reunião de Câmara
Na reunião de Câmara do passado dia 11 de Agosto foi aprovada a "declaração de utilidade pública" dos terrenos necessários à passagem das condutas do sistema de esgotos de Coutinho Afonso.
Trata-se da proposta n.º 482-P/2010, do Presidente da Câmara, na qual, ao abrigo do Código da Expropriações (Lei n.º 168/99, de 18 de Setembro), é requerida essa declaração "para constituição de servidão administrativa de aqueduto público subterrâneo". O montante dos encargos das expropriações das 21 parcelas consideradas é de 13.727,60 €.
A proposta, que consta em anexo à acta da Reunião de Câmara, inclui os mapas das servidões, com identificação dos proprietários e dos terrenos/prédios a expropriar - n.º de matriz, freguesia, descrição predial, confrontações, área das parcelas e classificação das terras.
A delibaração pode ser consultada no sítio da Câmara na Internet - http://www.cm-sintra.pt/ (Informação Institucional / Câmara Municipal / Reuniões de Câmara):
"Requerer a declaração de utilidade pública para constituição de servidão administrativa de aqueduto público subterrâneo, de várias parcelas de terreno necessárias à construção do Emissário de Cortegaça e Coutim Afonso, sendo o montante dos encargos a suportar com a servidão de 13.727,60 €.
(Proposta nº 482-P/2010, subscrita pelo Presidente)
Aprovada por unanimidade."
Uma nota final: os nosso SMAS continuam a desconhecer os nomes das povoações do concelho onde desenvolvem a sua actividade - é que a nossa terra chama-se mesmo Coutinho Afonso, e não "Coutim Afonso"; bastará deslocarem-se ao local e verem as placas identificativas...
Trata-se da proposta n.º 482-P/2010, do Presidente da Câmara, na qual, ao abrigo do Código da Expropriações (Lei n.º 168/99, de 18 de Setembro), é requerida essa declaração "para constituição de servidão administrativa de aqueduto público subterrâneo". O montante dos encargos das expropriações das 21 parcelas consideradas é de 13.727,60 €.
A proposta, que consta em anexo à acta da Reunião de Câmara, inclui os mapas das servidões, com identificação dos proprietários e dos terrenos/prédios a expropriar - n.º de matriz, freguesia, descrição predial, confrontações, área das parcelas e classificação das terras.
A delibaração pode ser consultada no sítio da Câmara na Internet - http://www.cm-sintra.pt/ (Informação Institucional / Câmara Municipal / Reuniões de Câmara):
"Requerer a declaração de utilidade pública para constituição de servidão administrativa de aqueduto público subterrâneo, de várias parcelas de terreno necessárias à construção do Emissário de Cortegaça e Coutim Afonso, sendo o montante dos encargos a suportar com a servidão de 13.727,60 €.
(Proposta nº 482-P/2010, subscrita pelo Presidente)
Aprovada por unanimidade."
Uma nota final: os nosso SMAS continuam a desconhecer os nomes das povoações do concelho onde desenvolvem a sua actividade - é que a nossa terra chama-se mesmo Coutinho Afonso, e não "Coutim Afonso"; bastará deslocarem-se ao local e verem as placas identificativas...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Povoado pré-histórico do Penedo da Cortegaça - 2
Ainda sobre a estação arqueológica do “Penedo da Cortegaça”, apresentamos de seguida a ficha de caracterização constante nos arquivos do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas:
Designação: Arqueologia - Povoado pré-histórico do Penedo da Cortegaça
Concelho: Sintra
Freguesia: Pêro Pinheiro
Protecção: Não classificado
Descrição: Habitat. Sítio escavado por Fernandes Gomes não tendo sido, até ao momento, objecto de publicação global. As referências que existem foram recolhidas em notas avulsas elaboradas pelo autor dos trabalhos de campo, onde se alude à abundância de cerâmica decorada com "folha de acácia" e bordos denteados. Prospecções efectuadas na década de 1990 demonstram a existência, a par da cerâmica, de artefactos de pedra lascada e polida que permitem afirmar que o sítio tem vestígios de ocupação do Neolítico, Neolítico final, Calcolítico(?) e campaniformes.
Acesso: Interdito.
Fonte: Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas
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