segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Presidente da Junta visita Coutinho Afonso

Deslocou-se hoje a Coutinho Afonso o Presidente da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, Sr. Manuel do Cabo.

Esta visita deu resposta a convite do Sr. Joaquim Pechilga, tendo como causa próxima a realização das Festas de Cortegaça, que se iniciarão no próximo fim-de-semana.

Como se sabe, a procissão das velas e a recolha de “cargos” para a procissão de N. Sra. da Luz, no dia 8 de Setembro, decorrerão também em Coutinho Afonso, e o estado de “conservação geral” da povoação é mesmo “pouco compatível” com as festividades (para além de todos os outros aspectos sobejamente conhecidos, neste momento o matagal é assustador), pelo que o Sr. Pechilga chamou mais uma vez a atenção para esse facto.

O Sr. Presidente da Junta foi acompanhado pelo responsável da nova Divisão de Serviços Urbanos 1 da Câmara Municipal de Sintra (DSU1), Eng. Sérgio, que operacionalizou ainda para esta semana a limpeza de parte do mato da povoação, incluindo da fonte; a DSU1 procederá também a obras de recuperação do fontenário do centro da povoação e à reparação dos dois pontões na estrada principal, junto ao Rossio.



O Sr. Presidente da Junta abordou também a questão do prometido parque de lazer no Rossio, mas a sua execução parece não passar por essa estrutura camarária.

Foram ainda abordadas outras necessidades da povoação como os passeios, as passadeiras (a falta de ambos), e a colocação dos contentores, em especial os de reciclagem (apresentaremos oportunamente fotografias da sua óptima localização, seleccionada pela empresa municipal HPEM).

Coutinho Afonso agradece certamente a visita do Sr. Presidente da Junta e do responsável da CMS, esperando que ela seja o “início de uma bela relação…”.

domingo, 8 de agosto de 2010

ASCENDI ignora peões

Na estrada do Algueirão para Coutinho Afonso existe um viaduto sobre a auto-estrada A16.

Como se recordarão, a estrada antiga foi destruída pela construção da A16 tendo, graças à mobilização dos habitantes sobretudo de Coutinho Afonso, Raposeiras e Cortegaça (ver posts de Setembro de 2008), sido construído um novo troço de estrada que contorna a Serra de Maria Dias.

Nesse novo troço de estrada foi então construído um viaduto que permite a circulação sobre a A16, circulação automóvel mas também dos peões, que não têm actualmente alternativas face à destruição dos antigos caminhos pedonais pelo corredor da auto-estrada.

Pois, era suposto os peões usarem integralmente o viaduto, mas esta semana a empresa exploradora da A16 - a ASCENDI -, resolveu "proteger o viaduto" dos automobilistas eventualmente desgovernados que possam procurar uma "aterragem" na pisa da auto-estrada.

Assim, a ASCENDI colocou entre o passeio de um dos lados do viaduto e a via de circulação uns blocos separadores em betão:


Tudo bem (ou talvez não, uma vez que estas protecções se encontram já no asfalto), só que no outro topo do viaduto taparam o acesso ao seu passeio:


Ou seja: os peões foram atirados para o asfalto, tendo de caminhar nos 30 centímetros que separam os blocos de betão da linha contínua da estrada:

Sem comentários...

A outra Casa Saloia da Barrosa

Como diz a canção, "afinal havia outra".

Neste caso é outra Casa Saloia, ainda que muito alterada, em melhor estado de conservação que a que indicamos em 4 de Outubro de 2009 ("A última Casa Saloia da Barrosa"):

Mais um acidente rodoviário...

Mais uma vez os "selvagens do asfalto" fazem das suas no interior de Coutinho Afonso, e mesmo sobre o (único) passeio da povoação.

Desta vez, na passada 6.ª feira, foi atingido um poste de madeira, que só ficou de pé graças aos seus cabos telefónicos:


Apesar da violência do embate a "besta" conseguiu fugir. Claro que se estivesse alguém a passar no local...

Já várias vezes demos aqui nota da falta de condições de segurança na circulação dos peões em Coutinho Afonso. Como dizíamos em Setembro de 2008:


Como é sobejamente conhecido - nomeadamente pela Junta de Freguesia -, a povoação não dispõe de qualquer passadeira ou de dispositivos de redução de velocidade, à excepção de dois semáforos nas entradas da povoação que, também como é do conhecimento geral, ninguém respeita - desafiamos as autoridades a confirmar com os seus próprios olhos (nem é preciso radares)esta afirmação.

Dois anos passados a situação mantém-se exactamente como descrito. Enquanto forem só muros e postes atingidos pelos automóveis parece que os responsáveis políticos e policiais continuam a dormir bem..

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Festa na Aldeia do Penedo

Iniciaram-se ontem as Festas do Divino Espírito Santo, no Penedo, pequena aldeia situada na Serra de Sintra, junto a Almoçageme.

Foto das Festas do Penedo de 1978

Essas festas não se realizavam há 10 anos, pelo que não deve mesmo perder-se esta oportunidade de assistir à, porventura, mais característica romaria do concelho de Sintra.

As "Festas do Divino Espírito Santo" no Penedo, têm uma riquíssima história, remontando de forma mais directa ao reinado de D. Dinis e à sua mulher a rainha Santa Isabel, mas com raízes mais bem antigas e profundas, como o provam os vários estudos que têm sido realizados sobre elas.

O Penedo é o último local do continente português onde são realizadas festas do "Império" ou do "Espírito Santo", que continuam a existir em muitos locais dos Açores, em particular na ilha Terceira.

Para um melhor contacto com a importância das Festas do Penedo recomendamos a leitura da separata que o "Jornal de Sintra" de 4 de Junho passado publica em http://www.jornaldesintra.com/2010/06/festas-em-louvor-do-divino-espirito-santo-do-penedo-colares-%e2%80%93-sintra/

Também no blogue "A Gazeta Saloia" pode encontrar mais alguns materiais -
http://agazetasaloia.blogspot.com/

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Escola do Algueirão, classe feminina de 1939.1940

Do álbum de fotografias da minha Mãe extraí uma fotografia da classe feminina de há 70 anos (1939-1940):




A professora era a saudosa Dona Stela, falecida não há muitos anos. Os alunos eram do Algueirão Velho, mas também das aldeias vizinhas, incluindo de Coutinho Afonso (eram uns bons três quilómetros a pé por carreiros, no Inverno rigoroso de então com muito frio e debaixo de chuva, certamente com a "barriga não muito composta"...).

A Escola do Algueirão Velho situava-se na bifurcação da Estrada do Algueirão com a das Mercês/Rinchoa e fechou em 1966, com a passagem dos alunos para a então ampliada escola situada junto à Igreja; recordo-me dessa passagem, fui acabar lá a 4.ª classe.

O edifício ainda lá está, é hoje um stand de motos e automóveis:

O Carnaval e as Cegadas

O Carnaval está aí e, salvo raras excepções, todo ele centrado nos desfiles mais ou menos "abrasileirados".

Nem sempre foi assim nas nossas bandas. Recordo-me de miúdo dos grandes bailes dos Recreios Desportivos do Algueirão, mas, sobretudo, das Cegadas no largo fronteiro à "Sociedade" e no "Rossio" de Coutinho Afonso.

Já passaram muitos anos desde que assisti à última cegada, quase 40. Uma descrição mais rigorosa que a da minha memória, do livro "Mem Martins, Retratos", de Zé de Fanares (*):


Do mesmo livro, outra história de Carnaval:



(*) Sobre o livro de onde extraímos estas histórias, um artigo de Filomena Oliveira/Luís Martins no blogue da Associação Cultural Alagamares (24.09.2006) - primeirosite.alagamares.net/artigo229.html:
Constituído a partir da rubrica jornalística "Retratos", publicada no Jornal de Sintra ao longo da década de 80, escrita pelo memartinense Luís Pedroso Miguel, que assina com o pseudónimo "Zé de Fanares", nome do pequeníssimo lugar ou povoado onde se construiu o apeadeiro do comboio, entre Algueirão e Mem Martins, hoje recordado com o nome de Rua de Fanares, Mem Martins. Retratos evidencia-se como um livro de crónicas-contos que recupera o modo comum de vida das populações da freguesia até ao final da primeira metade do século XX, um modo de vida eminentemente rural, regrado pelos ciclos das sementeiras, ceifas e colheitas, pelo transporte animal (o cavalo, o burro) e pelas profissões aldeãs (lavradores, abegoeiros, moleiros, canteiros, pedreiros, sapateiros, taberneiros…), a que se iam juntando quintas e moradias de veraneio. As "cegadas" e as "danças", com cantigas ao desafio, como festas aldeãs, são descritas com primor, bem como os bailes à luz do petróleo (e o primeiro arraial popular à luz de um gerador, em 1928) na casa do Zé Caixeiro.