domingo, 8 de agosto de 2010

Mais um acidente rodoviário...

Mais uma vez os "selvagens do asfalto" fazem das suas no interior de Coutinho Afonso, e mesmo sobre o (único) passeio da povoação.

Desta vez, na passada 6.ª feira, foi atingido um poste de madeira, que só ficou de pé graças aos seus cabos telefónicos:


Apesar da violência do embate a "besta" conseguiu fugir. Claro que se estivesse alguém a passar no local...

Já várias vezes demos aqui nota da falta de condições de segurança na circulação dos peões em Coutinho Afonso. Como dizíamos em Setembro de 2008:


Como é sobejamente conhecido - nomeadamente pela Junta de Freguesia -, a povoação não dispõe de qualquer passadeira ou de dispositivos de redução de velocidade, à excepção de dois semáforos nas entradas da povoação que, também como é do conhecimento geral, ninguém respeita - desafiamos as autoridades a confirmar com os seus próprios olhos (nem é preciso radares)esta afirmação.

Dois anos passados a situação mantém-se exactamente como descrito. Enquanto forem só muros e postes atingidos pelos automóveis parece que os responsáveis políticos e policiais continuam a dormir bem..

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Festa na Aldeia do Penedo

Iniciaram-se ontem as Festas do Divino Espírito Santo, no Penedo, pequena aldeia situada na Serra de Sintra, junto a Almoçageme.

Foto das Festas do Penedo de 1978

Essas festas não se realizavam há 10 anos, pelo que não deve mesmo perder-se esta oportunidade de assistir à, porventura, mais característica romaria do concelho de Sintra.

As "Festas do Divino Espírito Santo" no Penedo, têm uma riquíssima história, remontando de forma mais directa ao reinado de D. Dinis e à sua mulher a rainha Santa Isabel, mas com raízes mais bem antigas e profundas, como o provam os vários estudos que têm sido realizados sobre elas.

O Penedo é o último local do continente português onde são realizadas festas do "Império" ou do "Espírito Santo", que continuam a existir em muitos locais dos Açores, em particular na ilha Terceira.

Para um melhor contacto com a importância das Festas do Penedo recomendamos a leitura da separata que o "Jornal de Sintra" de 4 de Junho passado publica em http://www.jornaldesintra.com/2010/06/festas-em-louvor-do-divino-espirito-santo-do-penedo-colares-%e2%80%93-sintra/

Também no blogue "A Gazeta Saloia" pode encontrar mais alguns materiais -
http://agazetasaloia.blogspot.com/

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Escola do Algueirão, classe feminina de 1939.1940

Do álbum de fotografias da minha Mãe extraí uma fotografia da classe feminina de há 70 anos (1939-1940):




A professora era a saudosa Dona Stela, falecida não há muitos anos. Os alunos eram do Algueirão Velho, mas também das aldeias vizinhas, incluindo de Coutinho Afonso (eram uns bons três quilómetros a pé por carreiros, no Inverno rigoroso de então com muito frio e debaixo de chuva, certamente com a "barriga não muito composta"...).

A Escola do Algueirão Velho situava-se na bifurcação da Estrada do Algueirão com a das Mercês/Rinchoa e fechou em 1966, com a passagem dos alunos para a então ampliada escola situada junto à Igreja; recordo-me dessa passagem, fui acabar lá a 4.ª classe.

O edifício ainda lá está, é hoje um stand de motos e automóveis:

O Carnaval e as Cegadas

O Carnaval está aí e, salvo raras excepções, todo ele centrado nos desfiles mais ou menos "abrasileirados".

Nem sempre foi assim nas nossas bandas. Recordo-me de miúdo dos grandes bailes dos Recreios Desportivos do Algueirão, mas, sobretudo, das Cegadas no largo fronteiro à "Sociedade" e no "Rossio" de Coutinho Afonso.

Já passaram muitos anos desde que assisti à última cegada, quase 40. Uma descrição mais rigorosa que a da minha memória, do livro "Mem Martins, Retratos", de Zé de Fanares (*):


Do mesmo livro, outra história de Carnaval:



(*) Sobre o livro de onde extraímos estas histórias, um artigo de Filomena Oliveira/Luís Martins no blogue da Associação Cultural Alagamares (24.09.2006) - primeirosite.alagamares.net/artigo229.html:
Constituído a partir da rubrica jornalística "Retratos", publicada no Jornal de Sintra ao longo da década de 80, escrita pelo memartinense Luís Pedroso Miguel, que assina com o pseudónimo "Zé de Fanares", nome do pequeníssimo lugar ou povoado onde se construiu o apeadeiro do comboio, entre Algueirão e Mem Martins, hoje recordado com o nome de Rua de Fanares, Mem Martins. Retratos evidencia-se como um livro de crónicas-contos que recupera o modo comum de vida das populações da freguesia até ao final da primeira metade do século XX, um modo de vida eminentemente rural, regrado pelos ciclos das sementeiras, ceifas e colheitas, pelo transporte animal (o cavalo, o burro) e pelas profissões aldeãs (lavradores, abegoeiros, moleiros, canteiros, pedreiros, sapateiros, taberneiros…), a que se iam juntando quintas e moradias de veraneio. As "cegadas" e as "danças", com cantigas ao desafio, como festas aldeãs, são descritas com primor, bem como os bailes à luz do petróleo (e o primeiro arraial popular à luz de um gerador, em 1928) na casa do Zé Caixeiro.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O povoado pré-histórico "Penedo de Cortegaça"

A ocupação humana de Coutinho Afonso remontará aos tempos do Paleolítico, como é registado na estação arqueológica da "Casa Caída" - ver post neste blogue de Junho de 2009.


Mas o mais conhecido testemunho da ocupação humana na nossa área data do Neolítico, com o povoado pré-histórico designado "Penedo de Cortegaça", situada na fronteira das duas freguesias (Pero Pinheiro e Algueirão-Mem Martins) e ocupando áreas de ambas.

Essa estação foi objecto de várias intervenções arqueológicas, sendo referenciada em algumas publicações:


  • GOMES, J. J. F. (1971) - Objectos manufacturados sobre osso do povoado pré-histórico do Penedo (Cortegaça-Sintra). In Actas do II Congresso Nacional de Arqueologia, Coimbra: Junta Nacional da Educação

  • SIMÕES, T. (1996) - O Sítio arqueológico de São Pedro de Canaferim (Sintra): Contributos para o estudo da Neolitização da Península Ibérica

  • SOUSA, Ana Catarina (1996) - O Neolítico final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros (dissertação de Mestrado em Pré-história e Arqueologia)

  • Os dois últimos trabalhos referidos foram encontrados em - www.ipa.min-cultura.pt/pubs/TA/folder/11/


    Do segundo trabalho (Teresa Simões) extraímos a "Ficha de Sítio" e imagens de espólio aí encontrado:

    Do trabalho de Ana Catarina Sousa, efectuamos um pequeno resumo:

    Esta autora diz-nos que o Penedo de Cortegaça foi um pequeno povoado ocupado desde o Neolítico (5.000 a.C. a 2.000 a.C.) até ao Calcolítico (3.100 a 2.000 a. C.), fazendo parte de um núcleo de sítios, do qual o mais próximo era o Alto do Montijo (Morelena), mas que incluiria vários outros no que designa de área da Ribeira de Cheleiros; os principais seriam o Penedo de Lexim e Oulelas (Sabugo).

    O Penedo de Cortegaça era um povoado aberto, não fortificado, mas situado em cumeada, com condições de defensabilidade (a cerca de 200 metros de altitude); situava-se junto a terrenos com grande aptidão agrícola (a várzea da Granja), e os seus habitantes praticariam a pastorícia, o que será testemunhado por vestígios de queijeiras.

    Este povoado estaria ainda relacionado com necrópoles funerárias contemporâneas, nomeadamente a muito próxima e já destruída Folha de Barradas, na Granja do Marquês.

    Alguns excertos do seu livro:




    As duas últimas fotografias e as suas legendas são bem elucidativas das nossas (de todos, se bem que uns com mais responsabilidades do que outros - referimo-nos aos poderes políticos, claro) preocupações com o Património!
    Do crime ambiental que foi (e continua a ser) a pedreira falaremos mais tarde.

    quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

    Gilbardeira, a Flor do Natal

    A Gilbardeira, também conhecida em Coutinho Afonso como "Javardeira", era um dos símbolos do Natal da minha infância em Coutinho Afonso.
    Nas semanas anteriores ao Natal, ia-se ao Penedo e colhia-se aí o musgo e também a Gilbardeira, tendo o cuidado de não deixar que as suas "bolinhas" vermelhas caíssem; estas flores/arbustos eram colocadas numa jarra com água e mantinham-se verdes até muito depois do Natal. Depois de secas ainda podiam servir para "vasculhos".

    Este ano o musgo era pouco, mas as Gilbardeiras lá estavam:

    Sobre a Gilbardeira, retirei de uma brochura do CISE-Centro de Interpretação da Serra da Estrela (www.cise-seia.org.pt) uma interessante ficha:

    domingo, 1 de novembro de 2009

    Pão por Deus!

    Hoje, 1 de Novembro, na nossa região é o dia do "Pão por Deus".
    Recordo-me em miúdo de seguir esta tradição, no Algueirão e em Coutinho Afonso. Mais tarde, os meus filhos, quando miúdos, ainda "andaram ao Pão por Deus" aqui em Coutinho Afonso.
    Eis alguns dos sacos de pano usados para pedir o "Pão por Deus":
    Um excelente texto datado de hoje no blogue http://ideotario.blogspot.com/2009/11/o-pao-por-deus.htm:
    As nossas crianças, os meus netos, os miúdos da cidade nunca conheceram a magia do "pão por Deus" que fazia andar bandos de crianças no dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos, de porta em porta, de vizinho em vizinho, pedindo figos, nozes e outras guloseimas.

    _Ó Vizinha, dê o “Pão por Deus”!

    O consumo desenfreado e a globalização económica geram o esquecimento das coisas simples e da nossa tradição. Mas valerá sempre a pena, apesar de tudo, pedir o “pão por Deus” numa cabeça de abóbora ou num chapéu de bruxa.

    Mas na tradição portuguesa o “pão por Deus” era guardado num saquinho de pano que tempos antes a nossa mão ou a nossa avó preparavam com todo o cuidado com uma sobra de chita de algum trabalho de costura.

    Ainda hoje nas aldeias mais recônditas, de manhã bem cedinho, no dia de Todos os Santos, as crianças saem à rua em pequenos grupos para pedir o "Pão por Deus". Caminham assim por toda a povoação e ao fim da manhã voltam a casa com os sacos de pano cheios de romãs, maçãs, bolachas, rebuçados, castanhas, nozes e, por vezes, até dinheiro.

    Esta prática era realizada por miúdos de famílias mais modestas e procuravam sempre visitar os mais ricos da terra para poderem trazer algumas guloseimas que noutras épocas do ano nunca conseguiam obter. Recordo-me que havia o costume de confeccionar para oferecer nesta época uns bolos em formato de ferradura e com um agradável sabor a erva-doce. (...)