domingo, 15 de fevereiro de 2009

PERO PINHEIRO, UM TEATRO DE REVISTA EM 1952

No sótão da minha Mãe descobri o programa "contendo todos os versos musicados" de "uma revista em dois actos, interpretada pelas crianças das escolas primárias de Pero Pinheiro", que teria sido apresentada em 14 de Dezembro de 1952.

O programa, em papel de jornal, tem a dimensão de 166 x 217 mm e está impresso em letras "bordeaux".








sábado, 14 de fevereiro de 2009

PARQUE DE MERENDAS EM COUTINHO AFONSO???

Fomos surpreendidos por uma notícia do "Jornal da Região" desta semana, onde, a propósito da celebração do Dia de Freguesia de Algueirão, o presidente da Junta anunciava "a inauguração de obras como o parque de merendas em Coutinho Afonso (...)".



A estranheza com que encaramos a notícia não tem a ver com o facto de não haver actualmente qualquer indício de obras da Câmara ou da Junta em Coutinho Afonso (a isso já estamos mais que habituados); mas sem obras não pode mesmo haver "a inauguração" já prometida.

Bem, dir-me-ão, ainda faltam dez meses e meio para o fim de 2009, e um parque de merendas não deve levar assim tanto tempo a fazer! Sim, mas onde é que vai ser construído o tal parque, como é, o que prevê, já existe projecto, quem o fez, onde está, alguém o viu?

Que raio de perguntas, o sr. presidente vai finalmente fazer qualquer coisa em Coutinho Afonso e é logo isto, tantas questões; pobres e mal agradecidos, hem?

Bom, sabemos todos que vivemos numa Democracia Representativa, pomos lá o papel de quatro em quatro anos e "eles" tratam-nos da vida, de gerir a tal "coisa pública", nós até nem temos tempo, o que sobra do trabalho e dos transportes usa-se na TV e na bola, também temos de espairecer um bocado.

Isto não é a tal coisa da "Democracia Participativa" ou lá o que é isso, onde os eleitos consultam os eleitores sobre decisões que lhes dizem respeito (coisa para aí do norte da Europa, talvez).

Tudo bem, são as regras deste jogo, mas quando existem moradores interessados em ajudar os eleitos, até gastam o seu tempo a fazer propostas e a pedir ao sr. presidente para as apresentar pessoalmente, e como ele não tem tempo para os receber até as enviam por correio, por e-mail, talvez fosse de bom tom dizer qualquer coisinha (um telefonema, um postalinho...).

domingo, 8 de fevereiro de 2009

TOURADAS!

Os blogues são na sua essência meios de difusão de ideias, de reflexões pessoais. No caso do blogue "Coutinho Afonso", o que está na sua origem é, antes de mais, homenagear a terra que viu nascer grande parte da minha família, através da divulgação da povoação, do seu património, das pessoas que aqui nasceram e ou vivem e dos seus problemas e anseios.

No entanto, também me parece haver lugar a reflexões de carácter mais personalizado. E um meu amigo escreveu uma carta a outro amigo que acho mesmo que tem de ser divulgada...

Aqui vai a carta, intitulada "Touradas":


Meu caro,

Vivi uns 15 anos numa aldeia de Sintra. No Verão, ao fundo da rua, realizava-se uma garraiada; o touro ia marrando em quem podia, e a malta ia-se exibindo. No final, ia tudo para casa, o garraio também. Não havia facadas, nem bandarilhas, nem espadas, nem sangue, tirando algumas esfoladelas.

Participei num filme sobre a Festa do Espírito Santo, no Penedo, cerca de 1980, que a Câmara Municipal de Sintra adquiriu. Podes pedir aos Serviços Culturais para o visionar. Havia uma Corrida do Touro à corda, a Coroação do menino Imperador, o Bodo, a Vitela a Sortear e as Barracas e Quermesse. No sábado, o touro dava a volta à aldeia, preso por cordas, tentando marrar em quem podia. A malta da corda ia dando folga de modo a que o touro pudesse ir acertando nos mais atrevidos. Também nada de facas, bandarilhas ou algo do género que a imaginação possa entrever. No fim, na praça da aldeia, um trabalhador do matadouro municipal, que tinha essas funções, matava o touro, perante a aldeia em peso, com uma faca especial que lhe enfiava na nuca; o touro caía ao primeiro golpe ou, se necessário, ao segundo, que se lhe seguia imediatamente. Não era muito edificante, mas também não era uma demonstração de sofrimento ou sadismo. Já foi proibido, claro; os tempos são outros. No domingo, no adro da capela, era servido o Bodo aos pobres, com a carne do boi.



O que se tem de proibir é a violência sobre os animais, não as touradas. Pelo contrário, a relação do Homem com os animais deve ser incentivada. Correr pelos campos com os cães, observar as aves, uma garraiadazita com uns garraios ou provocar uns carneiros no pasto, só faz bem. Pelo contrário, os touros de morte, a luta de cães ou de galos, as espingardas de pressão de ar, as armadilhas de caça, os venenos para animais, tudo isso deve ser proibido. Aconselhável era também observar nos olhos um gorila, condenado a prisão perpétua, sem crime nem razão alguma, com o seu olhar racional, na jaula do zoo a que o confinaram. Experimenta!

No Verão de 1974 fui ver o país, claro. Fui com um amigo (ainda hoje é como se fosse meu irmão) que, pensava ele, era maoísta (isto agora parece piada — ele agora apoia o Sócrates, benza-o o Mao!). No Minho, em São Bento da Porta Aberta (juro que era o nome da terra!), passava uma procissão. O meu amigo Vítor ficou embasbacado a ver um andor pejado de notas presas com alfinetes ao santo, e murmurou:
— Isto tem que ser proibido…

Proibir é fácil. Mas pode ser um acto de sobranceria em relação ao povo. E, em certos casos, uma manifestação contra o povo. Um belo exemplo, é este Sócrates. Ele gosta do povo das aldeiazitas a que retirou a escola primária, sem nada dar em troca? Ele gosta do povo das terrinhas a que retirou o Centro de Saúde, sem nada lhes dar em troca? Ele gosta dos funcionários públicos? Dos professores? Dos notários? Dos juízes?

Ou seja, ao proibir as touradas, gostamos do povo que se diverte com os touros? Gostamos dos touros? Se gostássemos do povo, íamos para junto dele correr à frente dos touros; se gostássemos dos touros, andávamos a fazer piruetas à frente do garraio.

Já agora, que é para a desgraça, a minha mãe, de 80 anos, foi ao Centro de Saúde marcar uma consulta, e disseram-lhe que só daqui a 2 meses poderia lá ir marcar, então, a consulta. Na rua dela, no Algueirão, há um assalto semana sim, semana não. São estas touradas que o povo gostaria que se proibisse. E não deveria ser sobre isto que deveríamos reflectir? Enquanto o povo se diverte a fugir dos touros, claro…


Carlos Galrão

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A PONTE MEDIEVAL


A travessia da Ribeira de Ferreiros em Coutinho Afonso era até não há muitos anos efetuada por uma antiquíssima ponte, constituída por grandes lajes de calcário suportadas por alvenaria de pedra.


Foto de c. 2002

Foto de c. 2002

As origens da ponte são, tanto quanto sabemos, desconhecidas, mas a sua arquitetura e os materiais de construção utilizados indicam que remontará à época medieval. A antiguidade e originalidade deste vestígio do nosso passado certamente justificará o seu estudo por parte das autarquias, cujos resultados poderiam fundamentar a sua classificação em termos histórico-culturais (Imóvel de Valor Concelhio ou mesmo de Interesse Público?).

Essa será a melhor forma de proteger este elemento do nosso património. É que a A16 passa a uma escassa centena de metros, nunca se sabe se não vão fazer a esta ponte o mesmo que fizeram ao Paiol de Pólvora da Barrosa ... (ver notícia sobre a sua demolição noutro local deste blogue).



Foto de Dez.2008

Foto de Dez.2008
Foto de Dez.2008


Entretanto talvez se pudesse limpar a vegetação que praticamente engole a ponte, bem como os seus acessos - a propósito dos acessos, é curioso registar que a ponte servia para a travessia do ribeiro "por carro", pelo que possuía caminhos em ambas as margens com 2 a 3 metros de largura; hoje esses caminhos parecem ter "encolhido" (fenómeno da natureza ou de espécimes humanos?).

P.S.: A propósito de pontes medievais na nossa região, mais concretamente logo ali na Rinchoa, vale a pena espreitar o blogue de Júlio Cortez Fernandes tudodenovoaocidente.blog.sapo.pt.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O AQUEDUTO DA GRANJA DO MARQUÊS

O aqueduto da Granja do Marquês - atual Base Aérea n.º 1 / Academia da Força Aérea - foi recentemente objeto de uma intervenção de reabilitação, conforme consta numa notícia do "Jornal da Região" do passado dia 16 de Dezembro:

No entanto, e como é referido nessa notícia, existe ainda outro troço do aqueduto que não foi recuperado.
Essa é uma situação que se mantém desde 1987, altura em que um dos arcos do aqueduto foi derrubado por uma camioneta, como era denunciado no Jornal de Sintra de finais desse ano (há 21 anos!).


O Presidente da Junta de Freguesia de Pero Pinheiro refere das dificuldades da recuperação desse arco do aqueduto, o que certamente corresponde à realidade.
No entanto, não se pode deixar de constatar que os tais armazéns industriais foram construídos em data muito posterior à da destruição do arco do aqueduto... E a pergunta inevitável a fazer é quem e em que condições autorizou a construção dos tais pavilhões se isso iria inviabilizar a recuperação do aqueduto?
De qualquer forma, estamos no século XXI, o homem já foi à Lua há quase 40 anos, certamente que existem soluções técnicas, economicamente razoáveis, para a recuperação deste valioso elemento da nossa identidade cultural.
E já agora seria de não continuar a esquecer a possibilidade de classificação do Aqueduto da Granja do Marquês enquanto património histórico-cultural que o é (Imóvel de Interesse Público, Imóvel de Valor Concelhio?).

O nosso reconhecimento e apoio ao Presidente Carlos Parreiras na sua sensibilização/pressão às entidades competentes!

domingo, 28 de dezembro de 2008

A FONTE DE COUTINHO AFONSO

Coutinho Afonso possui uma antiquíssima e característica fonte de mergulho, cujas origens se desconhecem.
Das poucas referências que encontramos, salienta-se a que consta no sítio da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins - Fontes da Freguesia/Projecto "Arquitectura popular da água":
"Esta fonte está localizada em Coutinho Afonso onde a forma da antiga vivência rural, saloia e comunitária é ainda uma realidade.
No local encontram-se vestígios de diversas épocas, nomeadamente tardo medieval e setecentista ou até mais antigo se tivermos em conta os materiais arquitectónicos dos finais do Neolítico e princípios do Eneolítico encontrados no topo do monte. Trata-se de uma fonte de mergulho localizada no logradouro da localidade.
A cobertura do reservatório de Arca é constituída por laje calcária colocada horizontalmente. Possui tanque ou bebedouro para animais e poiais."
O artigo onde esta nota é inserida refere que a fonte de Coutinho Afonso foi integrada num projecto de recuperação de 4 fontes da freguesia, iniciado em Abril de 2004 com a colaboração do arqueólogo Rui Oliveira.
(Um parêntesis "engraçado" - descobri entretanto um recorte de jornal de Julho de 2000 que dava exactamente a notícia da conclusão da recuperação da fonte em Junho desse ano - o que é um facto é que na foto que acompanha a notícia se encontra o anterior Presidente da Junta. Pergunta: a fonte foi objecto de recuperações espaçadas apenas de 4 anos, ou estamos perante um facto de "revisionismo histórico"?)
Notícia de Jul.2000 sobre a recuperação da fonte
Independentemente do "autor" da recuperação, e como se constata da fotografia actual apresentada a seguir, a fonte foi efectivamente (bem) recuperada.
Fotografia actual da fonte (2008)

Contudo, e como a fotografia também documenta, a actual envolvência da fonte não é propriamente a mais digna para este importante vestígio do nosso passado. Talvez os contentores possam ser colocados noutro local...

Já agora, uma fotografia da fonte em Novembro de 1989:

domingo, 5 de outubro de 2008

PIRÓMANO(S) CONTINUA À SOLTA!

No sábado dia 27 de Setembro voltou a registar-se mais um incêndio em Coutinho Afonso.

Desta vez foi na "serra", onde as chamas consumiram não só mato como também algumas árvores.


O(s) pirómano(s) continua à solta e na população agrava-se a sensação de insegurança. Talvez se as forças de segurança se tornassem um bocadinho mais "visíveis" ajudasse...